Resenha: "The Endless River" (2014) – Pink Floyd


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Apesar dos esforços de David Gilmour, “The Endless River” não é de fato o novo disco do Pink Floyd. Desde “Divison Bell” (1994), os fãs da banda desejaram um novo lançamento, talvez até reunindo Roger Walters no estúdio, mas nada disso aconteceu. Em 2008, a morte do tecladista Rick Wright sepultou esse sonho.
“The Endless River”, em essência, é um apanhado de sobras de estúdio da época de “Division Bell”. Por isso, dezessete das dezoito canções do álbum são instrumentais, a maioria, com curta duração.
Na maior parte do disco, o clima é de música minimalista para meditação. A primeira faixa, “Things Left Unsaid” começa bem silenciosa,  é necessário aumentar o volume para apreciar os teclados, guitarras (com efeitos como os de “Cathedral” do Van Halen) e efeitos sonoros.
A dinâmica cresce em “It’s What We Do”, quando entram em ação a bateria e os solos viajantes de David Gilmour. Mas logo diminui em “Ebb and Flow”. Rick Wright deixou um belo trabalho de sintetizadores em “Sum”, que são cortados pelos inquietos solos de Gilmour. Essa inquietude produz-se em “Skin” com a utilização da percussão.
O primeiro destaque notório do álbum aparece em “Anisina”. Sobre os belos acordes de teclados, a guitarra duela com o saxofone, contando ainda com coro de vozes ao fundo. Apesar de instrumental, tem personalidade suficiente para ser um single.
O título típicamente floydiano “The Lost Art of Conversation” esconde uma curta faixa que existe para mostrar o som de piano de Wright. “Autumn ‘68” faz uma alusão lírica com “Summer of ‘68” (do LP “Atom Heart Mother”), e traz som de órgão de igreja. Os fãs notarão ainda o andamento e riffs de “Run Like Hell” nas duas partes de “Allons-y”.
A única faixa com vocais é a última, “Louder Than Words”. Ela começa com violão e teclados, mas seu melhor momento se encontra no solo de guitarra perto do final. Os vocais ganham apoio de coral feminino, recurso já utilizado pelo Pink Floyd anteriormente. Os esforços comerciais, inclusive o vídeo oficial, estão canalizados para esta faixa, que, no entanto, não possui força suficiente para alavancar grandes vendas.
O Pink Floyd já lançou LPs com um lado inteiramente instrumental (“Atom Heart Mother”), e talvez “The Endless River” queira transparecer essa intenção. No entanto, faixas dispensáveis, como “On Noodle Street”, “Night Light”, “Calling” e “Eyes to Pearls”, evidenciam que se trata de um álbum que reúne raridades inéditas. Uma versão com seleção mais criteriosa poderia ter criado um álbum mais consistente – seria melhor que as sobras ficassem para um outro álbum com raridades da carreira toda.

Por Eduardo Kaneco

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