A vida e morte de André Matos

André Matos (foto: Eduardo Kaneco)

André Matos foi um desbravador. Tinha pressa. Ainda adolescente, enquanto a maioria ensaiava dentro de uma garagem, o vocalista lançava seu primeiro LP, aos 16 anos, com o Viper, em 1987. O álbum, Soldiers of Sunrise, se tornou marco essencial da história do heavy metal brasileiro. Com o Viper, gravou ainda o clássico Theatre of Fate, considerado uma obra-prima.

Bacharel em Regência Orquestral e Composição Musical pela Faculdade de Artes Alcântara Machado, André Matos deixou o Viper para formar o Angra, com músicos virtuosos capazes de concretizar sua ideia de mesclar heavy metal com música erudita. Angels Cry, de 1993, é outra obra prima na carreira do cantor, e um dos seus maiores sucessos. O Angra lançaria mais dois álbuns com André Matos, descontando os EPs.

Houve uma cisão no Angra, e André Matos formou o Shaman com dois de seus ex-colegas de banda, Luis Mariutti e Ricardo Confessori. O Shaman lançou dois álbuns. Um pouco antes, André Matos se juntou com o músico e produtor Sascha Paeth e lançaram o pouco divulgado cd Virgo, que possui pelo menos uma música excepcional: “Discovery”.

Entre 2007 e 2012, André Matos deixou o Shaman de lado e investiu em lançamentos com seu próprio nome. Intercalado com sua carreira solo, surgiu também o Symfonia, trabalho ao lado de Timo Tolkki, ex-Stratovarius, que rendeu o álbum In Paradisum (2011).

Com reputação internacional, André Matos foi convidado e participou de vários projetos, o mais importante deles o Avantasia, liderado por Tobias Sammet do Edguy. Além deste, sua voz inconfundível pode ser ouvida também em William’s Shakespeare Hamlet (Hamlet, 2001), Days of Rising Sun (Aina, 2003), e em participações especiais em álbuns de vários outros músicos.

André Matos morreu de enfarte em 8 de junho de 2019, aos 47 anos, apenas uma semana depois de se apresentar no Free Pass Metal Festival no Espaço das Américas em São Paulo, fazendo um show de reunião do Shaman, além de tocar com o Avantasia. Seu espírito desbravador ecoa na sua partida apressada, muito antes da maioria dos músicos de sua geração.  

Por Eduardo Kaneco

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