Rockfest comprova a força dos clássicos do hard e heavy rock

Rockfest Helloween
Helloween no Rockfest

Rockfest agrada o público das antigas

Um grande público compareceu ontem ao Allianz Parque em São Paulo para vibrar com as atrações do Rockfest. Com exceção da banda brasileira Armored Dawn, todas as outras iniciaram suas carreiras nos anos 1970 e 1980, e provaram que continuam agradando seus fiéis seguidores.

E, acreditando nessa fidelidade, o Rockfest foi criado para aproveitar a vinda do Helloween, Scorpions e Whitesnake para o Rock In Rio, que começa no próximo dia 27.

Armored Dawn no Rockfest

Quem abriu o evento foi a banda brasileira Armored Dawn, às 16h15, já contando com um bom público no estádio. Criado em 2014 e com dois álbuns lançados, o Armored Dawn continua conquistando mais fãs, e muitos deles estavam no Allianz com suas camisetas e até mesmo com as pinturas no rosto que seus integrantes costumam usar. Por isso, na apresentação de ontem, não foi difícil para seu vocalista Eduardo Parras conseguir que todos cantassem juntos suas músicas.

O Armored Dawn não contou com a presença de uma violinista no palco, que dava um tom mais folk aos seus shows, mas o repertório com certeza agradou os fãs do metal melódico do Helloween, que tocaria mais tarde. Vale destacar a homenagem que a banda fez a André Matos, vocalista do Angra e Shaman falecido neste ano.

Europe no Rockfest

O Europe não está incluído no Rock In Rio, mas se apresentou na quarta em Curitiba e segue do Rockfest para uma turnê sul-americana. Contando com sua formação clássica, como o vocalista Joey Tempest e o guitarrista John Norum, o Europe mostrou muita segurança em seu show.

O repertório dessa turnê visa promover o álbum “Walk the Earth”, e por isso duas músicas dele foram tocadas, ao lado dos hits “Carrie”, “Cherokee” e, claro, “The Final Countdown”. Foi uma apresentação perfeita, com músicos muito bem entrosados, e as tradicionais “caras e bocas” de Tempest, que até desceu até a pista e abraçou os fãs, e os solos virtuosos de Norum.

Helloween no Rockfest

O Helloween já foi prejudicado em outros festivais no Brasil por tocar cedo demais, sob a luz do sol. Ontem, por sorte, já estava escuro quando a banda subiu aos palcos às 18h45. E que banda! Além da última formação que gravou o “My God-Given Right” em 2015, o Helloween contou com a reunião de Kai Hansen e Michael Kiske, que começaram na banda no primeiro e segundo discos, respectivamente, vindo a dar seus lugares para outros músicos.

Essa reunião, chamada de “Pumpkins United”, começou em 2016 e vem enlouquecendo os fãs do Helloween. Inclusive no Brasil, onde essa formação tocou em 2017.

O setlist incluiu apenas clássicos do Helloween, muitos deles presentes em todos shows desde sempre, como “Eagles Fly Free”, “Future World” e “I Want Out”. E outras surpresas, como “Ride The Sky”, cantada somente por Kai Hansen e “Perfect Gentleman”, somente com Andi Deris nos vocais.

Mas essa formação se destaca pela divisão de vocais entre Kiske, Deris e Hansen, dando uma roupagem nova a clássicos como “How Many Tears”, “A Tale That Wasn’t Right” e outros.

Devido a esse momento histórico do Helloween, este show foi o ponto alto do Rockfest, aquele que merecia até um tempo maior de apresentação. Com pouco mais de uma hora, composições mais longas como “Helloween”, acabaram ficando de fora.

O Helloween substituiu o Megadeth, devido à doença de Dave Mustaine. Em um belo momento, Andi Deris pediu a todos que gritassem pela recuperação do vocalista e guitarrista, que passa por um tratamento de câncer.

Whitesnake no Rockfest

O Whitesnake apresentou um show calcado na turnê de divulgação de “Flesh & Blood”, lançado neste ano. Dele, foram tocadas três músicas que, apesar de serem boas composições, esfriaram um pouco o público. Isso sempre acontece com músicas novas, é normal. Mas, o Whitesnake deveria ter reduzido para uma ou duas, porque, num festival, o tempo de apresentação é mais curto. Isso deixou de fora muitas músicas que os fãs esperavam, como “Guilty of Love”, que virou hino no primeiro Rock in Rio.

O show do Whitesnake foi o único que mostrou um pouco de desgaste pelo tempo. David Coverdale, notadamente, perdeu muito de sua potência vocal. As músicas agora são tocadas num tom mais grave, e Coverdale insiste em cantar forçando a voz rouca, com gritos constrangedores.

Para compensar, a banda faz sua parte. O Whitesnake soa menos bluesy e mais hard rock, com guitarras bem distorcidas e cozinha (baixo/bateria) mais barulhenta. Afinal, no lugar de Cozy Powell e Ian Paice, hoje quem segura as baquetas é Tommy Aldridge, cujo estilo se encaixa melhor num som mais pesado.

E para dar um descanso para a voz de Coverdale, o setlist curto ainda contou com vários solos instrumentais. O solo dos dois guitarristas mostrou um ótimo duelo entre Joel Hoeckstra e Reb Beach. E no solo de bateria, Aldridge repetiu o trecho com as mãos que ele apresentou no Rock In Rio de 1985, quando tocava na banda de Ozzy Osbourne.

David Coverdale também exagerou em se manter quase o tempo todo na ponta do corredor que avançava para dentro do setor da pista. Isso causava um distanciamento estranho com a sua banda, aliás, um reflexo nítido de que o Whitesnake é, na verdade, sua banda solo.

Scorpions no Rockfest

O Scorpions é uma das bandas de hard rock mais consistentes em suas apresentações. Sempre profissionais, impecáveis tanto na simpatia como na produção.

O repertório incluiu duas músicas do último disco, “Return to Forever”, de 2015. Já faz um tempo que esse disco foi lançado, mas a abertura com “Going Out With a Bang” mostrou que os fãs ainda não conhecem tanto esse disco. Era melhor uma música mais famosa para começar o show.

Mas os clássicos logo vieram. “Make It Real”, uma canção resgatada nos últimos anos e que merece estar em todas as apresentações, e “The Zoo“, entre outros. E o medley com as antigas “Top of the Bill” / “Steamrock Fever” / “Speedy’s Coming” / “Catch Your Train” garantiu a nostalgia da fase pré-Mathias Jabs.

Apesar de não haver tempo de incluir o trecho acústico do show, não faltaram as baladas “Send Me an Angel”, “Wind of Change” e “Still Loving You”. E, o Scorpions não deixou de fora o solo do baterista Mikkey Dee (ex-Motörhead), com direito a elevação de seu kit.

O Rockfest

O Rockfest foi em evento de sucesso. Com ótimo line-up, e uma produção ágil que manteve o intervalo entre as bandas entre 15 e 20 minutos, o festival reuniu um público que respondeu à organização e criou um clima de confraternização dentro do estádio.  

Por Eduardo Kaneco

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