Resenha: “Thunderbolt” (2018) – Saxon

Novo álbum do Saxon traz seu som clássico e inova com vocal gutural

O Saxon é uma banda com muito fôlego. Quem já assistiu a um show dos músicos ingleses deve ter se espantado com a longa duração de suas apresentações, de mais de duas horas. Fora dos palcos, o pique é o mesmo. A cada dois anos, um novo álbum é lançado, um feito e tanto para quem estreou em 1979, com o LP homônimo. Mas isso de nada serviria se os lançamentos fossem apenas para cumprir tabela. E “Thunderbolt” prova que Biff Byford, Paul Quinn, Doug Scarratt, Nibbs Carter e Nigel Glockler ainda têm muita lenha para queimar.

É impressionante como o Saxon consegue relacionar o título das músicas com o som de cada uma delas. Só de ler o track list, já deduzimos o que ouviremos nesse novo álbum. “Olympus Rising”, por exemplo, só poderia ser uma introdução, anunciando o despertar da banda.  “Thunderbolt”, que leva o nome do disco, entrega todo o punch que se espera de uma composição com esse título, algo como o “Painkiller” do Judas Priest. E, só para fechar essa hipótese, “Nosferatu” possui, claro, ritmo cadenciado e fundo de teclado inspirado em trilha sonora de filme de terror.

Sem fugir das características construídas ao longo da extensa carreira, o Saxon ainda assim consegue variar o estilo das músicas se valendo de detalhes que enriquecem as composições. O coro no início de “The Secret of Flight” evoca uma dimensão épica, enquanto “They Played Rock & Roll” resgata o rock’n’roll pesado e mais direto de “The Band Played On”, lançado em 1981.

Evitando a mera repetição do passado, o Saxon se deixa influenciar por outras bandas, como o Black Sabbath, que impregna “Sons of Odin”, com seu riff com poucas notas, ritmo cadenciado, levada pulsante de baixo e refrão e solo com muita melodia. E, como novidade, pela primeira vez ouvimos um vocal gutural num disco do Saxon, no dueto de Biff Byford com Johan Hegg, do Amon Amarth, em “Predator”.

“Thunderbolt” é um blend do melhor que o Saxon produziu em seus quase 40 anos de carreira, enriquecido com esses novos ingredientes que não deixam que seu som se torne previsível demais.

Faixas:

  1. “Olympus Rising”
  2. “Thunderbolt”
  3. “The Secret of Flight”
  4. “Nosferatu (The Vampires Waltz)”
  5. “They Played Rock and Roll”
  6. “Predator” (feat. Johan Hegg)
  7. “Sons of Odin”
  8. “Sniper”
  9. “A Wizard’s Tale”
  10. “Speed Merchants”
  11. “Roadie’s Song”
  12. “Nosferatu (The Vampires Waltz)” (raw version)
Por Eduardo Kaneco

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