Resenha: “From The Fires” (2017) – Greta Van Fleet

Formada pelos irmãos Joshua Kiszka (vocal), Jacob Kiszka (guitarra), Samuel Kiszka (baixo e teclados) e por Daniel Wagner (bateria), a banda de Michigan, EUA, Greta Van Fleet, nem lançou seu primeiro álbum e já ganhou notoriedade, devido à forte semelhança de seu som com o do Led Zeppelin. De cara, pelo timbre e estilo de interpretação do vocalista, mas também pela contribuição de todos os membros, o que ficou evidente com o lançamento do EP “Black Smoke Rising” em abril de 2017, principalmente pela faixa “Safari Song”, que pode com certeza ser taxado de um pastiche da banda de Jimmy Page & Cia, suscetível a uma lista de “chupadas” descaradas, entre elas, as várias camadas de guitarra, o timbre da bateria e da guitarra, a voz e a interpretação de Joshua Kiszka, e a própria composição em si.

Em novembro de 2017, o Greta Van Fleet lança o EP “From The Fires”, que traz as quatro faixas do EP “Black Smoke Rising” (“Highway Tune”, “Safari Song”, “Flower Power” e a faixa-título), mais quatro inéditas: “Edge of Darkness”, “Talk on the Street”, e as covers de “A Change Is Gonna Come”, de Sam Cooke, e “Meet on the Ledge”, do Fairport Convention. Analisando esse set-list mais completo, é possível concluir que o Greta Van Fleet não é mero pastiche do Led Zeppelin, apesar da influência fortíssima. “Flower Power”, por exemplo, bebe dessa fonte, soando como as músicas “de verão” do Led Zeppelin, como “The Song Remains the Same”, com guitarra dedilhada em destaque, mas possui frescor próprio, inclusive um “mama mamama” nunca antes ouvido da boca de Robert Plant.

Contudo, se ouvirmos a acelerada “Highway Tune”, a pegada não é tão zeppeliana, o riff invocado e a guitarra ágil fogem do estilo típico de Jimmy Page. Ou então “Edge of Darkness”, onde o vocalista Joshua Kiszka se esforça em variar suas entonações para escapar da crítica de ser um copiador de Plant. Já em “Talk on the Street”, o som se aproxima do brit pop, com apelo mais comercial e ritmo rápido.

Difícil é reconhecer qual linha o Greta Van Fleet seguirá para criar seu estilo próprio. Talvez a resposta esteja na faixa “Black Smoke Rising”, que não nega a influência do Led Zeppelin (riff dedilhado, por exemplo), mas apresenta um refrão com melodia agradável que não remete a nada zeppeliano, e onde Joshua procura cantar com entonação provavelmente mais natural. Essa mudança no vocal será essencial para o crescimento da banda, pois ouvindo as oito faixas desse EP em sequência, seu timbre agudo se torna cansativo, lembrando Linda Perry, do 4 Non Blondes, a já esquecida banda de um só sucesso dos anos 1990. No Spotifý, há uma cover de “Rolling in the Deep”, de Adele, onde Joshua emprega uma voz bem grossa e potente. Possibilidades existem, portanto, resta saber o que ouviremos no aguardado primeiro full-length do Greta Van Fleet.

Por Eduardo Kaneco

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