Resenha: “All That Reckoning” – Cowboy Junkies

O Cowboy Junkies volta a lançar um disco de estúdio depois de uma série de álbuns temáticos chamados de “Nomad Series”, compostos por quatro volumes, o último de 2012. Desde então, houve um hiato de seis anos sem material inédito até este “All That Reckoning”. A banda canadense, formada pelos irmãos Margo Timmins (vocal), Michael Timmins (guitarra), Peter Timmins (bateria) e Alan Anton (baixo), se mantém fiel ao som indie característico desde o início de sua carreira em 1985, com influências de blues e folk.

“All That Reckoning” mantém o clima melancólico, outra marca de sua sonoridade, e que pode ser conferida desde sua faixa de abertura, que leva o nome do álbum, dividido em duas partes – a primeira em tons graves, sem bateria, e finalizada com instrumentos indianos, e a segunda parte mais acelerada, com um raro solo de guitarra. É notório o tom intimista das músicas, e para isso a banda opta por uma produção minimalista, com o uso de poucos instrumentos, principalmente no início das canções, adicionando novas camadas ao longo da canção, como em “The Things We Do To Each Other”.

A maioria das composições é tocada em ritmo lento, e quando o Cowboy Junkies resolve acelerar um pouco distorce a guitarra para conseguir riffs sujos. Em “Sing Me a Song”, essa distorção se junta ao uso alternado de efeitos na voz de Margo Timmins, resultando numa pegada psicodélica deslumbrante. E, por falar em psicodelismo, há ruídos de Roger Waters, um dos fundadores do Pink Floyd, em “When We Arrive”, pela autorreflexão confessional presente nela.

O Cowboy Junkies provoca arrepios com a balada amarga “Shining Teeth”, e suas letras cínicas, ao mesmo tempo que transporta para um road movie com a trilha sonora cinemática que se esconde no instrumental de “Mountain Stream”. Enfim, nas onze curtas canções do álbum, que fecha na maior simplicidade com “The Possessed”, basicamente um banjo mais voz, “All That Reckoning” atende com qualidade os fãs da banda que há tanto esperam um álbum com músicas inéditas. Infelizmente, também deixa claro que dificilmente seremos surpreendidos com uma composição no estilo de “Angel Mine”, lançado no álbum “Angel Mine” (1996), e que mesclava com perfeição o estilo da banda com uma influência pop nunca mais repetida.

Por Eduardo Kaneco

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